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Meu Verso

O meu verso é natural
Da Chapada Diamantina.
Vem dos zelos de Mãe Lina
E das lições de moral.
Vem das Minas de cristal
Do calumbé e da pá.
Da lavanca de cavar
Do querer e do despojo.
Vem do bamburrar no bojo
De cristal a cintilar.

Vem d’aridez do carrasco
Da estiagem do agreste
Do vento que vem do leste
De graveto no penhasco.
É tão seco como o casco
Da cuia de cabaceira.
Nem palha que faz esteira
Tem a sua sequidão.
É seco como o torrão,
Como cinza em capoeira.

Tem marcas do desamparo
E virtude do perdão
Poder de superação
De um passado ignaro.
Vem d’um feliz anteparo
Com paz, carinho e amor.
Foi de anjo benfeitor,
Em formato de mulher,
Que com sacrifício e fé
Fez um ninho acolhedor.

Retrata a fauna e a flora:
O nado do mergulhão,
O vôo do azulão
Bem no despertar da aurora.
Vem da figueira que chora
E do gosto de articum.
É negro como o anum
E brabo como tetéu.
Mandaçaia que faz mel
De flor de manga comum..

De essência singular,
Tem a mistura das cores,
Dos perfumes e sabores
Que captou do lugar.
É doce como araçá
E rapadura cerenta.
Tem o ardor da pimenta
E as cores do jasmim.
Tem cheiro de bogarim
E efeito de água-benta.

Vem da casa de terreiro
Pintada de tabatinga
Que tem água de moringa
E a luz de candeeiro.
Vem da pimenta-de-cheiro
Pra tempero de pirão
Cozinhado em caldeirão
Ensopado com verdura.
“De comer” com a mistura
De arroz com açafrão.

Vem da observação
Das nuvens beijando a serra,
Cheiro de chuva na terra
E do ronco de trovão.
Começo de plantação
De feijão-de-corda e milho.
Fumo, de corda, em sarilho
No quintal para secar.
Do vôo do mangangá
E do mugir de novilho…

Do doce de compoteira
E gomo de mexerica
Água tomada na bica,
Café de choculateira.
Cantiga de vó rendeira
Cochilo com cafuné.
Avô cheirando rapé
Com ar despreocupado.
Menino fotografado
Com a máquina de tripé.

Da moça trajando chita
No festejo de São João.
Igreja, reza e rojão,
E bandeirola que agita.
Do leiloeiro que grita,
Pedindo oferta melhor.
Da cachaça e trololó,
Casamento e batizado.
Do mastro sendo enfincado
Com vento trazendo pó.

Vem das tardes de prazer
Com bola de mangabeira
Muito jogo e brincadeira
Até candeia acender.
Do ver a lua nascer
No colo quente da vó.
Com picada de potó
Que, de noite, irrita e coça.
De manhã, na velha roça,
Plantando feijão no pó.

Fez inversa trajetória
Como numa regressão
Pra trazer da região
O que ficou na memória.
Vendedor contando história
De forma espirituosa
De meizinha milagrosa
Pra curar qualquer doença
Explorando a velha crença
Levando besta na prosa.

Traz de feira inspiração
Mais originalidade:
Da banca de brevidade
Com paçoca de pilão.
Da cigana que lê mão
Pra tirar qualquer quebranto.
Meninos em contracanto
Com tábuas de pirulito
Mulher rezando bendito
Vendendo imagem de Santo.

Trago a minha poesia
Das Lavras Diamantinas
Onde o cascalho das minas
Era de grande valia.
O interior da Bahia
Me deu o metro e a rima.
O resto veio do clima,
Do sol, da terra e do ar.
Do constante caminhar
No garimpo serra acima.

Ponho no verso o que via
Lá na Fonte do Pau-Louro
Nas gramas do quaradouro
Uma vasta estamparia.
Da bica a água escorria
Com mulher enchendo a lata.
A branca, a preta e a mulata,
Trançando a mesma rodilha
Pra andar na velha trilha
Sempre arrastando a pracata.

Só vi pé de caroá
Em terreno pedregoso
Com raiz de fedegoso
Minha avó fazia chá.
O bico do carcará
Era igual unha-de-gato.
Vi grassar bredo, no mato,
Como ervanço e jitirana.
Qualquer farinha baiana
Era medida no Prato.

No brejo, quando menino,
Brinquei com fogo-pagou
No Cercado de Doutor,
Velho Doutor Gasparino.
Em lamento matutino,
Uma pomba juriti.
Na Lagoa, o paturi,
Vi nadar entre o capim,
E o bate asas sem fim
Do pequeno Bem-te-vi.

Pro meu verso foi achado
Esse interior baiano.
Mascate vendendo pano
Soltando o palavreado.
Feira de sol empinado
Onde se vendia puba,
Tapioca de Imbaúba,
Carne seca de varal.
Farinha do Traçadal
E maniva da Pituba.

Vem do mais belo cenário:
Lá da Serra do Carranca,
Cuja beleza desbanca
Qualquer um receituário.
Vem do canto do canário,
Pintassilvo e zabelê.
Vem da pega e do sofrê
Nas flores do mulungu.
Vem do tempo do umbu,
Do preá,do saruê.

Traz ainda a emoção
Do mágico deslumbramento
Do girar do cata-vento
Na casa de Sinhorzão.
História de assombração
Em noite de lua cheia.
Casa de parede-meia
Com santo no oratório.
Menino de suspensório,
Domingo, cavando areia.

Sai do enredo do sonho
Do fluir do pensamento.
É distraído e atento,
Inteligente e bisonho.
Possui um poder medonho
Parece mais deus pagão.
Não foge de tentação
Tem forma de Ipupiara.
E seduz a deusa Iara
Ecoa pelo sertão.

Antonio Conselheiro e as vinte e cinco igrejas

             1

Mudei em setenta e três

Pra morar no Maranhão

Mas eu não tinha a  noção

Do que ia acontecer.

Logo que disse – prazer!

Ao primeiro morador

Ele, espantado, gritou:

-É Antonio Conselheiro

Que baixou n’algum terreiro

E aqui se incorporou!

2

Aquilo foi o prenúncio

Do que viria a seguir,

Eu tinha chegado ali

Dessas plagas da Bahia.

Por não gostar de folia,

Não dar “valor” a dinheiro,

Não ir a cabelereiro

E ser amável no trato,

Diziam eu ser o retrato

Do “beato” Conselheiro.

3

Quando já era bancário

A coisa seguiu assim,

Só referiam a mim

Como Antonio Coselheiro.

Aquilo foi um roteiro,

Um fato a considerar.

Minha passagem por lá…

Por lá… pelo Maranhão

Transformou em obsessão

E resolvi pesquisar.

4

Esse fato me marcou

Naqueles anos setenta.

Minha mente tava atenta

Pro beato singular.

E procurei me ligar

Na vida do Conselheiro

Esse insigne brasileiro

De Belo Monte – Canudos

Que foi alvo até de estudos

Em países do estrangeiro.

5

Naquele ano de trinta

Do século dezenove

Nasceu em família pobre

Como Antonio Maciel.

Seu pai deu graças ao Céu,

Pegou o filho no braço

No dia treze de março

Na Vila Campo Maior.

Observando melhor,

Notou que tinha seu traço.

6

Quando contava seis anos

A sua mãe faleceu.

O menino padeceu

Por falta daquele amor.

O seu Vicente casou

Com Maria Conceição.

Ela não tinha afeição

Pelo pequenino Antonio

E por obra do demônio

Seu pai virou beberrão.

7

Cresceu assim o menino

Estudando o português,

Geografia e francês

Lá em Quixeramobim.

Teve aulas de latim

Lá na escola do avô.

Aos estudos se entregou,

Teve boa formação,

Pois o pai tinha a intenção

De fazê-lo confessor.

8

No ano cinquenta e cinco

No dia cinco de abril

Seu Vicente sucumbiu –

Morreu seu progenitor.

Só deixou tristeza e dor

E tudo que pôde herdar

Foi três irmâs pra cuidar

E um comércio falido,

Muito fiado vencido

E contas para pagar.

9

Casou em cinquenta e sete

Bem no início de janeiro

Em sete do mês primeiro

Com a jovem Brasilina.

Esse fato determina

Mudança de profissão.

Ele atendeu em balcão

Foi rábula e professor,

Constantemente mudou,

Parecendo em procissão.

10

Seu casamento ia bem,

Nasceram duas crianças.

Renovaram as esperanças

De futuro promissor.

Porém, teve o dissabor

De ver a sua mulher,

A companheira de fé,

Fugir com policial

Numa conduta imoral

Sem explicação qualquer.

11

Novamente se mudou

Após aquele ocorrido.

Ficou bastante abatido

Com “desmanche” do seu lar.

Tempos depois viu chegar,

Com Joana, mais um filho

Quando já era andarilho

Por todo o seu Ceará.

Qualquer cidade a cruzar

Já não era um empecilho.

12

No ano setenta e três

A fronteira cruzaria

E foi visto na Bahia

Já em peregrinação.

Tinha a determinação

De quem tem objetivos

E dava muitos motivos

Para alguém acreditar

Que promessa ia pagar

Aqui no mundo dos vivos.

13

Essas pesquisas eu fiz

Porque algo me faltava

Nenhuma “fonte” explicava

Um fato muito importante.

Aquela imagem “intrigante”

Que planejou “Conselheiro”.

O comerciante e obreiro

Que “bolou” um “visual”

Que fascinou sem igual

No cenário brasileiro:

14

De barba e grandes cabelos

Alto e magro de feição

Com batina de azulão

Nos pés sandálias de couro.

Imagem de bom agouro

Só andava de bastão

E na cintura um cordão

Com enorme crucifixo.

Naquela imagem me fixo

Procurando explicação.

15

Não bastasse aquela “imagem”

Tinha um certo ritual.

Era caso habitual

Pedir ao rico pro pobre.

Essa atitude tão nobre

Dava mais o que pensar

E só fazia espalhar,

Pelo sertão, sua fama.

Aquilo era uma trama

Difícil de destrinchar.

16

E nesse ponto eu parei

Pensando o que fazer.

– Continuar a escrever

Sem essa luz clarear?

Refletindo, fui deitar

Tava cansado e dormi

E no sonho eu consegui!

É que nesse sonho meu

Conselheiro apareceu

E me contou tudo…*ali.

17

– *O fato que quer saber

Eu fiz de caso pensado,

Depois de ter estudado

A mente do sertanejo

Eu auscultei seu desejo

Para a minha atuação.

Fiz essa “transformação” –

Trabalho de marqueteiro.

No Brasil fui o primeiro

A ter essa profissão.

18

– Ocorreu no Ceará

A desavença cruel

Da família Maciel

Com todos os Araújo.

Não havia um só refúgio,

Isso marcou gerações,

Ensanguentou os sertões

Com morte de vinte e cinco.

Eu rezei com muito afinco

Pra cessarem as agressões.

19

– Nessas minhas orações

Fiz promessa benfazeja:

Construir uma igreja

Pra cada morte ocorrida.

E que toda essa ferida

Viesse a cicatrizar

Que jamais no Ceará

Reinasse a desarmonia.

Vim pro sertão da Bahia

Meu sonho concretizar.

20

– O final da minha história

Você já sabe de sobra

Em todo tipo de obra

Escrita por bacharel

Em folhetos de cordel

E teses de doutorado

Já tive o crânio estudado

Pra saber se fui normal.

Pois na busca do “ideal”

Vi meu povo trucidado.

21

– Eu só pretendia erguer

Essas casas de oração

E não sei por que razão

Parei no Vaza-Barris.

Por um capricho infeliz

Construí uma cidade

Que teve a capacidade

De se auto-sustentar.

Todos corriam pra lá

Para o lugar de igualdade.

22

– Canudos em quatro anos

Lá no sertão era a tal.

Foi notícia de jornal –

E incomodou a Nação.

E o presidente de então,

O Prudente de Morais,

Despachou seus “federais”

Para nos aniquilar.

Conseguiram consumar

E o fato foi pros anais.

23

– Não cumpri minha promessa,

Parei lá pela metade.

Não tive a serenidade

Cresceu minha empolgação.

E essa minha ambição

A mente me confundiu.

A morte me consumiu

E para meu desconforto

Cada um parente morto

Vi multiplicar por mil.

24

– Cheguei ao Terceiro Céu

Bem no dia  que morri.

E o Comitê dali

Decretou na ocasião

Que para minha ascensão

Por cem anos vou purgar.

Agora você saberá

Como foi a minha morte…

– Por um capricho da sorte,

Alguém veio me acordar!

A Volta de Zé Limeira a Ibotirama

                 1

Vendo Deus lá no seu trono celeste

Recostado tirando uma soneca

Zé Limeira, no ato, disse – eureca!

É agora que eu vou para o nordeste.

Foi zanzando de leste para oeste

Procurando carona pra descer.

-Eu vou ter que voltar dessa turnê

Antes de despertar nosso Senhor.

Foi aí que o segredo se espalhou:

Quando Deus tá dormindo nada vê!

2

Um piloto de Disco Marciano

Quando vinha de Marte pra Plutão

Viu alguém apontando com a mão

Um lugar no Sertão Paraibano.

Confundiu o Nordeste com Urano

E botou de carona pra trazer.

No caminho é que ele foi saber

Que trazia um poeta nordestino.

Diz a Reza do Terço Bizantino:

Quando Deus tá dormindo ninguém vê!

3

“ Zé Limeira onde canta, todo mundo

Vai olhar bem de perto a sua origem,

Já cantei no sertão, no Céu da Virgem

Sou doutor de meizinha, furibundo.

Viva o Rei, o Juiz, Pedro Segundo

Sou a cobra que o boi nunca lambeu.

Sou tijolo da casa de Pompeu

Peripécia da filha do prefeito.

Você hoje me paga o que tem feito,

Pois quem viu Deus dormindo lá fui eu!”

4

“ Cantador pra cantar com Limeirinha

É preciso ser muito envernizado

Ter um taco de chifre de veado

E saber decorada a ladainha.

Ter guardado uma pena de andorinha,

Condenar para sempre o carnaval.

Guardar terra de fundo de quintal

E é preciso engrossar o pau da venta.

Beber leite de peito de jumenta

E ver Deus lá dormindo…coisa e tal!”

5

Quando o Pai, finalmente, despertou

Zé Limeira, tranqüilo, se entretinha

Disputando repentes em Varginha

Da janela dum Disco Voador.

Toda mídia pra lá se deslocou

Pra mostrar a peleja com o ET.

Isso deu muito Ibope na TV

E dobrou a Tiragem lá na Veja.

Outra história se conta na Igreja:

Quando Deus tá dormindo tudo vê!

6

Zé Limeira ganhou fama estelar

Nessa escala forçada por Varginha.

Nunca deu tanto Ibope na Telinha

Como em suas pelejas no lugar.

Sílvio Santos foi lá pra contratar

Mas a Globo também mandou fazer.

Na justiça pediram parecer,

E esse caso no Céu repercutiu.

O Juiz do Supremo proferiu:

Quando Deus tá  dormindo tudo vê!

7

Na disputa feroz por audiência

Zé Limeira virou rico troféu.

Em agosto foi à “Capital Céu”

Pra pedir ao Senhor sua clemência.

Na Cidade viu toda efervescência,

Se esqueceu da missão e foi beber

Mas a Globo e o tal de SBT

Exigiram gravar mais um programa.

Zé Bacana falou em Ibotirama:

Quando Deus tá dormindo nada vê!

8

Não gostou da quizila o Pai Eterno

E chamou o seu Santo mais fiel.

-Vai virar o Satélite da Embratel

E mirar pras tevês lá do Inferno.

-Não permita que saia um só Caderno

Publicando o que vai acontecer.

-E que passe o domingo de lazer

Sem Gugu Liberato e o Faustão.

Nostradamus ditou pro Alcorão:

Quando Deus tá dormindo vê TV!

A Serra do Carranca

 

 

Pra mim

O vento não vinha do sul

Muito menos do norte

O vento vinha era da Serra do Carranca!

Pra mim

A manhã não trazia o sol

E seus raios brilhantes

O sol vinha era da Serra do Carranca!

Pra mim

A noite não trazia a lua

E São Jorge radiante

Quem trazia a lua era a Serra do Carranca!

Pra mim

A chuva não vinha só das nuvens

Trazidas pelos ventos

Nas tardes quentes de dezembro

A chuva vinha era da Serra do Carranca!

Pra mim

A prata não era a prata

Metal valioso e brilhante

A prata era a lagoa que eu via,

Todos os dias, na Serra do Carranca!

Pra mim

O frio não era do clima

Daquelas noites de junho

Quem trazia o frio, nas festas de São João,

Era a brisa que vinha da Serra do Carranca!

Pra mim

A Serra do Carranca

Não era pedra, barro, floresta e areia

Era poesia, magia – encantada!

Era o prolongamento do Céu

Da querida  Ipupiara !

Sequência de Sonetos 2

 

Sequência de Sonetos 2

 

Soneto Controverso

 

Quero um soneto meio controverso

E me arremeto nele às escuras

Vou recorrendo às Santas Escrituras

Para botar tempero no meu Verso.

 

Meu consciente está meio disperso

Sem nada pra dizer nessas alturas

Tenho que achar de vez as tessituras

Porque na oitava linha estou imerso.

 

No nono verso vem a frustração,

Nem dei início à contradição

E uma palavra já me alerta – ufa !

 

Procuro assunto pra mais um terceto

Em minha mente vejo tudo preto

Findo o soneto sem dizer  bulhufa!

 

Tempos Modernos

 

 

Que quatro vezes quatro é dezesseis

Aprendi numa antiga Tabuada.

Nela eu vi que os noves fora nada

Faz a prova de dez mais vinte e seis.

 

Pra saber a leitura em português

Foi a velha Cartilha adequada.

Era por toda parte adotada,

Desde os tempos que ainda havia reis.

 

Nesta era em que avançam a ciência

E a tecnologia é de ponta

Uma contradição ficou global.

 

Se este tempo é da eficiência

Muita gente só sabe fazer conta

Numa calculadora digital !!!

 

 

 

É Preciso Olhar a Alma

 

Se de perto ninguém fica normal

Como disse o compositor baiano

Como devo encarar o ser humano

Se de longe também enxergo mal?

 

Pra se ver o vivente ao natural

Sem disfarce do seu cotidiano

Eu pergunto ao polêmico Caetano

A distância é o ponto crucial?

 

Depois de observar estranho e amigo

Em todo aquele que privou comigo

Cheguei à conclusão com muita calma:

 

Para ver, da pessoa, a exata imagem,

Que se esconde por trás da maquiagem

Talvez seja preciso olhar a alma!

 

Ibotirama

 

Mudando a rota rumo ao oceano

Opara encurva e pare Ibotirama.

Fez nessa curva um lindo panorama,

Na “Rica Flor” plantou calor humano.

 

Ele se verga e desce soberano

Aconchegando a Terra franciscana

“Capital Céu”, amor de Zé Bacana,

A jóia rara do sertão baiano.

 

Ao se curvar no solo da Bahia

Esse ambiente encharca de alegria

No vaivém cintilante da mareta.

 

O “Vapor Encantado” que se via

Virou lenda inda dizem que vigia

Ibotirama lá da Pedra Preta.